O julgamento que apura as responsabilidades sobre a morte de Diego Maradona ganhou novos e dramáticos contornos nesta semana na Argentina. Um dos profissionais responsáveis pela proteção pessoal do ídolo prestou um depoimento revelador perante a Justiça.

Martín Aníbal Domínguez relatou que avisou repetidamente a equipe médica sobre a rápida piora no estado de saúde do ex-jogador. O segurança destacou o desleixo do médico particular do astro nos dias que antecederam a tragédia.

Segundo a testemunha, o profissional responsável pela saúde de Maradona deixou de prestar o atendimento necessário no momento mais crítico. A recusa do médico em ir à residência ocorreu mesmo após alertas diários sobre a gravidade da situação.

Sinais de deterioração e isolamento na residência

O segurança esteve presente na casa localizada nos arredores de Buenos Aires durante o período em que o ex-atleta recebia tratamento domiciliar. Ele descreveu um cenário de isolamento e profundo sofrimento nos últimos dias de vida do ídolo.

Maradona apresentava um inchaço facial contínuo e visível, fruto de uma severa retenção de líquidos que se espalhava pelo corpo. A testemunha afirmava com frequência que o ex-jogador precisava de uma avaliação presencial urgente.

Diante do quadro, o ex-craque perdeu a vontade de se alimentar e recusava os cuidados básicos de higiene. Para evitar deslocamentos, a equipe precisou inclusive improvisar um banheiro dentro do próprio quarto em que ele ficava acamado.

Dados sobre a frequência de visitas e causa da morte

  • Período de internação domiciliar: 14 dias

  • Visitas realizadas pelo médico particular: apenas 4 (dias 17, 18, 20 e 22 de novembro)

  • Volume de líquido retido no abdômen: 3 litros identificados pelos peritos

  • Causa oficial do óbito: edema pulmonar agudo por insuficiência cardíaca crônica

Acusados no processo judicial

  • Leopoldo Luque: médico particular de Maradona

  • Agustina Cosachov: médica psiquiatra

  • Carlos Díaz: psicólogo

  • Nancy Forlini: coordenadora da empresa Swiss Medical

  • Pedro Di Spagna: médico assistente

  • Mariano Perroni: coordenador da equipe de enfermagem

  • Ricardo Almirón: enfermeiro responsável pelo atendimento

Negligência médica e provas apresentadas

Durante a audiência, a promotoria exibiu mensagens trocadas entre o segurança e o médico responsável pelo tratamento. Nos textos, o funcionário alertava que o ídolo esperava ansiosamente pela visita médica enquanto seu corpo inchava cada vez mais.

O médico justificava a ausência afirmando que o inchaço era uma consequência natural do tempo prolongado em repouso. Ele garantia aos familiares que a retenção desapareceria de forma espontânea, sem a necessidade de intervenção imediata.

Contudo, os peritos forenses desmentiram a versão médica e comprovaram que a condição levou dias para se instalar completamente. Todos os profissionais citados no processo respondem formalmente perante a Justiça argentina por homicídio culposo.

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