Breno Lopes explicou, em depoimento ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), o episódio que provocou sua expulsão no último Athletiba. O atacante do Coritiba afirmou que colocou a mão sobre a boca por hábito enquanto discutia com Lucas Esquivel e negou ter feito qualquer ofensa de cunho racial. A declaração ocorreu uma semana após o clássico, disputado na sexta-feira (11).

Entenda a expulsão de Breno Lopes no Athletiba

A expulsão aconteceu aos 45 minutos do primeiro tempo, quando Coritiba e Athletico ainda empatavam a partida. Breno Lopes e Lucas Esquivel já haviam se envolvido em discussões e provocações ao longo do jogo.

No lance que resultou no cartão vermelho, o atacante se aproximou do lateral argentino com a mão na boca. A atitude chamou a atenção da arbitragem e levou o árbitro Wagner do Nascimento Magalhães a consultar o VAR.

Durante a revisão, Esquivel informou à arbitragem que havia sido ofendido verbalmente por Breno Lopes.

Atacante relata provocações entre os jogadores

No julgamento realizado nesta sexta-feira (18), Breno Lopes afirmou que a discussão não começou naquele momento. Segundo o jogador, os dois atletas já haviam trocado provocações durante a partida.

O atacante também declarou que teria recebido um soco sem bola de Esquivel antes do episódio que terminou em sua expulsão.

“Era um clássico e, minutos antes da minha expulsão, eu e o adversário tivemos alguns conflitos e discussões. Ele acabou me dando um soco sem bola. Depois, a gente continuou trocando provocações: ele me xingava e eu xingava ele”, disse Breno Lopes.

Ao explicar o que falou para Esquivel no momento da discussão, o jogador afirmou:

“Eu cheguei perto dele e falei que ele era um jogador fraco, que o jogo não tinha acabado ainda e que a gente ia buscar a virada”.

Breno Lopes nega ofensa racista

Durante o depoimento, Breno Lopes também comentou a chamada Lei Vini Jr. e afirmou que conhece a norma e é contrário a manifestações racistas.

O atacante explicou que o gesto de cobrir a boca não teria sido feito para esconder uma eventual ofensa racial. De acordo com seu relato, colocar a mão na boca seria um hábito que acabou repetido durante a discussão.

“Obviamente eu sabia da Lei Vini Jr. e acho válida. Também sou contra qualquer ato de racismo. Mas, por hábito de colocar a mão na boca, eu acabei esquecendo, no calor do jogo, e acabei sendo expulso. Se eu não tivesse colocado a mão na boca, eu jamais seria expulso, porque não falei nada de racismo, nada disso”, afirmou.

STJD mantém suspensão de Breno Lopes

O gesto de cobrir a boca durante uma confrontação com adversário ou integrante da arbitragem é enquadrado no artigo 258 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD).

A conduta pode resultar em cartão vermelho direto. No julgamento, o STJD considerou que Breno Lopes cometeu uma infração disciplinar e manteve a suspensão de uma partida.

A decisão, porém, ainda pode ser contestada no Pleno do tribunal.

Atacante fica fora contra o Vasco

Com a suspensão mantida, Breno Lopes não poderá defender o Coritiba contra o Vasco. O confronto está marcado para este sábado (19), às 20h30 (de Brasília), em São Januário, pela 28ª rodada do Campeonato Brasileiro.

A ausência representa uma baixa importante para a equipe paranaense. Breno Lopes é o artilheiro do Coritiba na competição, com oito gols.

O clube chega ao confronto ocupando a oitava posição da tabela, com 38 pontos. Assim, a suspensão tira da equipe uma de suas principais opções ofensivas em um momento de disputa na parte superior da classificação.

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